Após o encerramento da temporada de 2026 de captura intencional de tartarugas marinhas na praia de Itaipu, em Niterói, no Rio de Janeiro, o Projeto Aruanã contabiliza 399 tartarugas-verdes (Chelonia mydas) identificadas desde o início do monitoramento na região.
Nesta última temporada, que contou com sete dias de capturas, 31 tartarugas foram identificadas. Desse total, seis indivíduos foram capturados e marcados pela primeira vez. O menor deles tinha 39,2 cm de comprimento curvilíneo de carapaça (CCC) e pesava 7,2 kg.
Entre os indivíduos já monitorados anteriormente, o registro mais antigo foi o da tartaruga T0338, capturada pela primeira vez em 3 de novembro de 2021, quando apresentava 51,5 cm de CCC e pesava 18,80 kg. Cinco anos depois, nesta temporada, esse mesmo indivíduo voltou a ser recapturado e agora está com 85,3 cm de CCC e 77,60 kg.
O Projeto Aruanã, patrocinado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, realiza o monitoramento de tartarugas marinhas na praia de Itaipu desde 2010. Já as pesquisas por meio de capturas com uma rede especialmente desenvolvida para o manejo seguro desses animais, no formato realizado atualmente, tiveram início em 2013.
Os resultados da pesquisa demonstram que a Praia de Itaipu constitui uma importante área de residência e desenvolvimento para as tartarugas-verde, oferecendo condições favoráveis ao crescimento dos indivíduos, incluindo uma elevada taxa de crescimento anual. Esse cenário pode estar associado à interação entre as tartarugas e a atividade pesqueira artesanal, uma vez que os restos de peixes descartados no mar pelos pescadores durante a limpeza do pescado representam uma importante fonte de alimento para esses animais.
A região também abriga a Reserva Extrativista Marinha de Itaipu (RESEX-Mar Itaipu), uma unidade de conservação de uso sustentável que busca compatibilizar a conservação dos recursos naturais com a manutenção dos modos de vida e das atividades tradicionais das comunidades extrativistas.
Nesse contexto, a interação histórica entre as tartarugas marinhas e os pescadores artesanais reforça a importância de integrar a pesquisa científica, a valorização do conhecimento tradicional e o manejo sustentável da pesca às estratégias de conservação da espécie.Embora a tartaruga-verde tenha sido recentemente reclassificada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) para uma categoria fora do risco de extinção em escala global, a espécie continua sujeita a diversas ameaças e dependente de ações de conservação, especialmente em áreas costeiras utilizadas durante as fases iniciais de vida. Compreender como essas ameaças afetam o desenvolvimento e a sobrevivência dos indivíduos é fundamental para favorecer seu recrutamento à população adulta, considerando que a primeira reprodução demora em torno de 25 a 30 anos para ocorrer. Além do foco na pesquisa científica, o manejo das tartarugas, realizado na areia da praia de Itaipu, é sempre um atrativo para o público, contribuindo para a sensibilização da sociedade em prol da conservação da biodiviersidade.
Nesta temporada, não foi diferente: turistas, banhistas, estudantes e frequentadores assíduos da praia aproveitaram a oportunidade para tirar dúvidas e se encantar com a possibilidade de observar as tartarugas mais de perto.
Sobre o Projeto Aruanã
O Projeto Aruanã dedica-se à conservação das tartarugas marinhas no estado do Rio de Janeiro, com foco na Baía de Guanabara. Por meio da realização de pesquisas científicas e ações de educação ambiental e sensibilização social, o projeto promove a participação da sociedade civil na proteção dos ambientes marinhos costeiros. Desde sua origem, busca atuar de forma colaborativa, em parceria com pescadores e diversas instituições para a promoção de ações decisivas no fomento de políticas públicas. O Projeto Aruanã conta com o patrocínio da Petrobras, através do Programa Petrobras Socioambiental, e também com a parceria do Aquário Marinho do Rio de Janeiro.